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segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Esquerda e bandidos. Sempre juntos.

Nas palavras de William Lima da Silva, o "Professor", fundador e guru do Comando Vermelho: "Conseguimos aquilo que a guerrilha não conseguiu: o apoio da população carente. Vou aos morros e vejo crianças com disposição, fumando e vendendo baseado e outras drogas.
Futuramente, elas serão três milhões de adolescentes, que matarão vocês, a polícia e as equipes de segurança nas esquinas.
Já pensou o que serão três milhões de adolescentes e dez milhões de desempregados em armas?"

A quem entenda isso como mero delírio,  a sinistra profecia já está em curso de realização: o Comando Vermelho não apenas domina dois quintos do território do Grande Rio, desfrutando aí o monopólio dos sequestros, do comércio de carros roubados, do tráfico de drogas, mas exerce também nessa área funções de governo, por meio do terror alternado com lisonjas paternalistas, e tem ainda a liderança no contrabando de armas pesadas, sendo hoje uma organização mais equipada do que a polícia ou mesmo do que as guarnições locais do Exército.

As autoridades reconhecem que o poder da máfia dos morros é absolutamente incontrolável, e ela prossegue, de vitória em vitória, atordoando a polícia, humilhando os governantes, dizendo que suas operações criminosas são uma luta pela libertação dos oprimidos.
É o cúmulo do descaramento, pois o Comando Vermelho nasceu da convivência entre criminosos comuns e ativistas políticos esquerdistas dentro do presídio da Ilha Grande, entre os anos de 1969 a 1978.
Ali os militantes esquerdistas ensinaram aos bandidos as técnicas de guerrilha que eles viriam a usar em suas operações criminosas e os princípios de organização político-militar sobre os quais viria a estruturar-se o Comando Vermelho, bem como as frases revolucionárias com que o bando hoje glamouriza suas façanhas.

Todos esses ensinamentos foram depois levados à prática pelo Comando Vermelho, que demonstrou possuir até mesmo um domínio mais extenso deles do que as próprias organizações guerrilheiras: "O crime organizado foi muito além do que a luta armada tinha conseguido nos anos 70, tanto em matéria de infra-estrutura quanto na disciplina e organização internas". Como bem resumiu o assaltante de bancos Vadinho ( Oswaldo da Silva Calil ), que viu tudo de perto na Ilha Grande, "os alunos passaram a professores".
O Comando Vermelho é uma extensão da velha guerrilha revolucionária.
Eles indicam, no entanto, que o que se passou na Ilha Grande foi algo de bem mais comprometedor do que simples conversas casuais.
Poderosos interesses vetam, hoje, uma investigação mais profunda desses episódios. Os prisioneiros políticos do passado, se tornaram gente importante, deputados, ministros, procuradores, com poderes suficientes para evitar qualquer olhar curioso que se lance sobre um passado que eles preferem manter protegido entre névoas.
Temos agora os esquerdistas junto com os bandidos com a introdução de um fator novo, de uma diferença específica no tipo de influência exercido pelos militantes sobre os bandidos.

Essa diferença residiu essencialmente no conteúdo das informações transmitidas: em vez de simples doutrinação ideológica, os bandidos receberam ensinamentos práticos, que puderam por em ação tão logo saíram da cadeia.

Que ensinamentos foram esses?

I - Primeiro, princípios de organização, que incluíam desde a estrutura de comando e disciplinar do grupo armado, até sistemas de comunicação em código.

II - Em seguida, técnicas de propaganda, que lhes permitiram transformar assaltos e sequestros em espetáculos de protesto —  é o que os esquerdistas chamam de "propaganda armada" — que ganha a simpatia de parte da população e dos intelectuais de esquerda.

III - Terceiro, táticas de ação armada.

Aqui a lista é grande. Dentre os procedimentos usados pela guerrilha e copiados pelo Comando Vermelho, destacamos os seguintes:

1 - Realização de assaltos simultâneos em vários bancos, para desorientar a polícia.
2 - Com o mesmo objetivo, bombardear os postos policiais com dezenas de alarmes falsos, no dia dos assaltos planejados.
3 - Não sair para uma operação armada sem deixar montado um "posto médico" para atender os feridos (que antes os bandidos deixavam à sua própria sorte, expondo-se à delação por vingança ).
4 - Em caso de emergência, invadir pequenas clínicas particulares selecionadas de antemão, obrigando os médicos a dar atendimento aos feridos.
5 - Planejamento e organização de sequestros.
6 - Designar para cada operação um "crítico", que não participa da ação, mas apenas observa e assinala os erros para aperfeiçoar a ação seguinte.
7 - Planejar as ações armadas com exatidão, de modo a obter no mínimo de tempo o máximo de rendimento com o mínimo derramamento de sangue. (Hoje o Comando
Vermelho realiza em quatro ou cinco minutos um assalto a banco).
8 - Técnicas para o bando se retirar do local da ação em tempo recorde, aproveitando-se da conformação das ruas, do congestionamento, etc., ou provocando deliberadamente acidentes de trânsito.
9 - Planejamento cuidadoso de todas as ações, segundo o princípio de Carlos Marighela: "Somos fortes onde o inimigo é fraco. Ou seja: onde não somos esperados."
10 - Informação e contra-informação como base do planejamento.
11 - Sistema de "aparelhos" — casas compradas em pontos estratégicos da cidade, para ocultar fugitivos após as operações, guardar material bélico, etc.
4 - O quarto e último grupo de ensinamentos dizia respeito à seleção das melhores armas para cada tipo de operação, e ainda à fabricação de explosivos apropriados para o uso na guerrilha urbana, como coquetéis-molotov com uma fórmula especial preparada por estudantes de Química e "bombas de fragmentação com pregos acondicionados junto à pólvora e enxofre num tubo de PVC ou numa lata do tamanho de uma cerveja".

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