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sábado, 14 de fevereiro de 2015

Saques das cadernetas de poupança registraram recorde em janeiro. Esperavam o que?

Brasília (AE) - Dados do Banco Central revelam que a soma sacada pelos brasileiros da caderneta de poupança, em janeiro, superou em R$ 5,529 bilhões os valores depositados no mês. Foi a maior “fuga” de recursos registrada nos últimos 20 anos. Nos últimos dias, o governo nega, porém, ter havido qualquer movimentação atípica em decorrência de boatos de que o dinheiro dos poupadores seria confiscado. 

A poupança é uma das aplicações preferidas pelos brasileiros. Mas o desempenho em janeiro é o primeiro sinal de como a caderneta vai “sofrer” este ano, na avaliação do presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel José Ribeiro de Oliveira. O primeiro golpe nesse investimento é a atual fase de aperto monetário. Em janeiro, o Comitê de Política Monetária (Copom) aumentou os juros básicos da economia, a Selic, para 12,25% ao ano e a perspectiva é de que uma nova alta virá no mês que vem. “Isso faz com que as pessoas prefiram aplicar seu dinheiro em fundos, já que, com os juros mais altos, eles acabam rendendo mais.”

Desde 2012, sempre que a Selic for igual ou menor que 8,5% ao ano, o rendimento passa a ser 70% da Selic mais a Taxa Referencial (TR). Quando o juro sobe a partir de 8,75% ao ano passa a valer a regra antiga de remuneração fixa de 0,5% ao mês mais TR.

O presidente da Anefac lembrou que o ambiente econômico também proporciona maiores dificuldades para a economia das famílias, já que a inflação está em alta. Os recentes anúncios de aumento de preços, como de energia elétrica e combustíveis, vão continuar diminuindo o poder de compra da população.

O economista mencionou ainda que a restrição de crédito também é um dos vilões da formação de poupança. Muitas famílias estão endividadas e o resgate da caderneta pode estar relacionado à necessidade de honrar compromissos financeiros. “Isso, sem contar as pessoas que resgatam esses recursos para complementar seus orçamentos”, diz. “


O grande problema é o aumento seguido de preços frente a renda que não cresce”.

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