quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Desde 1° de agosto de 2014, todos os blogs da Rússia com mais três mil visualizações passaram a ser controlados estritamente pelo Kremlin


A partir de 1° de agosto de 2014, todos os blogs da Rússia com mais três mil visualizações – quantidade acima do muito pouco – passaram a ser controlados estritamente pelo Kremlin, noticiou o jornal portenho “Clarín”. 

Controles análogos já existiam, afogando os grandes meios de comunicação e caindo agora sobre quase todas as publicações online.

A denominada “Lei sobre os blogueiros” inclui uma série de reformas no Código Administrativo, na lei de Informação e na lei de Comunicações.

A nova legislação obriga os administradores/proprietários de um endereço virtual a fornecer informações sobre seus usuários às autoridades da “nova URSS”.

As redes sociais deverão conservar durante seis meses os dados de seus membros em servidores dentro da Rússia, ao alcance da polícia política.

Alguns servidores deixaram de publicar estatísticas ou rankings dos blogs ou sites, ou impuseram um limite máximo de 2.500 visitantes diários. Mas o governo já dispõe de mecanismos para contabilizar as visitas.

O “gulag virtual”, que vinha funcionando há tempo com discrição, agora é oficial.

Hugh Williamson, da Human Rights Watch, disse à BBC que a lei é “mais uma etapa da mão dura da Rússia contra a liberdade de expressão”. 
“A Internet foi a última ilha de liberdade de expressão na Rússia e com essas regulamentações draconianas ficou debaixo do tacão do governo”, acrescentou.
A liberdade de expressão, de que tanto se abusou para promover o mal e a imoralidade, agora é esmagada pela imoralidade suprema do totalitarismo de Vladimir Putin, paradoxalmente apresentado por ingênuos ou cúmplices como campeão da moralidade.

Em agosto, mais um decreto obrigou os cidadãos russos a fornecer seu número de passaporte ou de RG ao se conectarem com uma rede Wi-Fi, noticiou o site “20minutes”.

O decreto apenas alarga lei existente, estabelecendo que “o acesso aos serviços de comunicação e de troca de dados ligados a uma conexão Internet só será permitido pelo servidor após identificação do usuário”.

O fornecedor de acesso à Internet deverá recolher o nome completo, os dados do passaporte, e estocar as informações transmitidas durante seis meses, além de registrar e guardar o tempo de conexão do usuário que fica quase como um “suspeito” para o sistema repressivo.

O decreto causou indignação. “É verdadeiramente nefasto”, escreveu em seu blog o opositor do Kremlin, Alexeï Navalny.

“Um verdadeiro Big Brother está nascendo sob os nossos olhos (…), um sistema que sabe quem escreveu o quê, quando e onde”, acrescentou.
Uma espionagem que lança uma inquietante sombra sobre a privacidade e a intimidade dos cidadãos e que nem foi sonhada na época de Lenine e Stalin.

O governo tentou justificar o atropelo com argumentos contraditórios e manifestamente falsos. A prefeitura de Moscou disse que só funcionaria nas conexões dos Correios, mas ninguém acreditou.

O Ministério das Comunicações arguiu que o objetivo é lutar contra o terrorismo.

Ai, porém, de quem critique a Vladimir Putin, ou do ucraniano que defenda sua mãe pátria. Bem pode receber uma visita dos órgãos de segurança antiterroristas.

O mesmo ministério disse que as redes privadas não seriam atingidas, mas logo acrescentou que todos os usuários deverão preencher um formulário especial com informações da identidade antes acessarem a Internet.

O fornecedor também poderá obter essas informações “interrogando as autoridades competentes”, esclareceu o Ministério.

O que equivale a dizer que as “autoridades competentes” já têm esses dados. Teme-se que o “gulag virtual” declare “inexistente” este ou aquele usuário, seguindo esquemas de silenciamento orwellianos.

Luis Dufaur edita o blog Flagelo Russo.

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