segunda-feira, 9 de junho de 2014

Funcionários públicos escravos dos bancos, a dívida deles com os bancos tem aumentado mais do que quem não trabalha para o Estado

Servidores estão com os salários comprometidos por 67 meses apenas com o crédito consignado, que soma R$ 143 bi

Diego Amorim

Rodolfo Costa


Nem os reis da estabilidade escapam do perrengue. Os servidores públicos, com salário 
garantido todo mês, nunca dependeram tanto dos empréstimos consignados — aqueles 
descontados diretamente no contracheque — para arcar com os compromissos financeiros. 
O saldo devedor dessas dívidas está em R$ 143,1 bilhões, recorde registrado pelo Banco 
Central. O montante supera em quase oito vezes o total de recursos destinados aos 
trabalhadores da iniciativa privada.
A dívida dos servidores com os bancos tem aumentado numa velocidade bem maior do que 
a de quem não trabalha para o Estado: no último ano, cresceu quase o dobro. Com mais 
crédito disponível, os funcionários públicos têm demorado mais para quitar os débitos. Em 
média, o tempo de endividamento chega a cinco anos e meio (67,2 meses) — o maior da 
história, também de acordo com o BC —, contra três anos e meio (42,5 meses) dos 
consignados do setor privado.

A busca dos servidores por crédito para pagar as contas, analisa o consultor Alexandre 
Ayres, sócio da Neocom Informação Aplicada, é o clássico exemplo da crise pelo 
endividamento. "Entre essas pessoas, há muita gente considerada rica, mas que acabou 
comprometendo até 90% da renda com financiamentos", conta. Com a disparada dos juros, 
quem se curvou aos consignados agora se vê atordoado. "Pode até ter estabilidade, mas 
não há mais sobra de dinheiro", acrescenta. Ele ressalta ainda que, além dos empréstimos 
com desconto em folha, os funcionários públicos têm pesadas dívidas no cartão de crédito, 
no cheque especial, com carros e a casa própria.

Taxas abusivas
Com o orçamento espremido pela inflação, o servidor Fernando Fernandes, 53 anos, tem 
tomado crédito com frequência para não deixar o padrão de consumo cair. "Assim como 
estou sempre atento às promoções nos supermercados, também pesquiso as melhores taxas 
do mercado", afirma, sem esconder a insatisfação com a média dos valores que encontra. 
"Tem instituição financeira cobrando mais de 3,5% ao mês. É muita exploração, os juros 
estão abusivos", reclama.
Desde o ano passado, Fernando vem sentido uma maior necessidade de buscar crédito 
para fechar as contas do mês. "Tenho feito malabarismos", define. Casado e pai de seis 
filhos, ele diz que, com a ajuda do consignado, o orçamento anda garantindo apenas as 
despesas básicas. "Preciso colocar comida em casa e honrar meus compromissos", 
acrescenta o servidor, reconhecendo que, atualmente, seria praticamente impossível viver 
apenas do salário.
Antes da aposentadoria, daqui a três anos, Fernando não conseguirá se ver livre dos 
empréstimos, o que não o faz se sentir culpado ou mesmo envergonhado. "Por que seria 
diferente? Não estou fazendo nada de errado. Se posso contar com o crédito, é porque tenho 
um planejamento que me permite adequá-lo ao meu orçamento", comenta, torcendo pela 
redução dos juros. "A situação econômica do país está alarmante. Fico bastante 
decepcionado", desabafa.
O salto dos juros iniciado em abril do ano passado assustou e bagunçou muito a 
programação financeira de quem abusou do crédito. "Os servidores são trabalhadores 
normais, que estão sofrendo as mesmas consequências que os da iniciativa privada", diz 
Carlos Pio, diretor-financeiro da Sicoob Credfaz, cooperativa que oferece crédito para os 
funcionários do Ministério da Fazenda e de órgãos vinculados à Presidência da República.

A cooperativa dirigida por Pio tem oferecido, em 2014, 20% a mais de volume crédito na 
comparação com o mesmo período do ano passado. Na modalidade do consignado, o 
servidor pode pegar emprestado até R$ 225 mil, para pagar em até cinco anos. Na opinião 
dele, a demanda será bem absorvida ao longo do ano. "A Selic mais elevada ainda deve 
pesar no contracheque do consumidor", acredita, não eliminando a possibilidade de 
aumentar o limite e o prazo de pagamento.
O servidor que tem tomado crédito compulsivamente é aquele que deseja manter o padrão 
de consumo de antes da inflação e dos juros altos e, para isso, não quer sacrificar mais a 
renda. "São servidores que chegam a pegar até oito contratos de empréstimos para comprar 
carros, geladeiras, televisores ou, então, saldar pequenos compromissos, como dívidas no 
comércio ou em outras instituições financeiras", explica Pio.

Fonte:http://www.eb.mil.br/web/imprensa/resenha?
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%3DdoSearch#.U5V-R9zIb4Y  Acessado em 09 de junho de 2014 Às 07:27h

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