quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Drogadição oficializada. Uruguai quer plantar 150 hectares de maconha. Aprovação de Mujica cai após plano de descriminalização da maconha



O presidente do Uruguai, José Mujica, afirmou nesta segunda-feira que, se for aprovado o plano do governo para legalizar a venda de maconha, o país plantaria 150 hectares de cannabis para suprir a demanda de seus consumidores.
Em entrevista a emissoras de televisão, Mujica destacou que essa quantidade é mais que suficiente para sua iniciativa, que entrou no Parlamento para ser debatida no início de agosto e que pretende a legalizar a compra e a venda da droga e que o Estado se encarregue de todo o processo produtivo.
Faltando que a norma seja debatida no Parlamento e se conheçam bem os detalhes da regulação, estima-se que o Uruguai deverá produzir 28 mil quilos de maconha ao ano para cobrir as necessidades de seus cerca de 75,5 mil consumidores frequentes, que estariam autorizados a comprar 30 gramas mensais da droga.
Mujica insistiu mais uma vez em que com este controle estatal será possível oferecer aos consumidores um produto que terá "um preço e uma qualidade que não se pode conseguir no mercado negro", e que dessa forma tentará "roubar o mercado do narcotráfico".
"Estamos há 50 anos tentando pela via policial e estamos fracassando", declarou para justificar a iniciativa. Consultado sobre que alternativas poderia dar para o modelo de gestão deste mercado, o presidente uruguaio destacou os clubes de cannabis da Espanha, onde associações de usuários são as encarregadas "de produzir, vender e registrar os consumidores".
As declarações foram divulgadas horas depois que o jornalista argentino da CNN, Andrés Oppenheimer, divulgasse em uma de suas colunas que Mujica havia lhe confiado em entrevista que não seria o Estado que se encarregaria em último caso de vender e tramitar a maconha.
"Mujica, que até agora não tinha esclarecido se está a favor que a empresa encarregada de gerenciar seu projeto seja estatal ou privada, disse que ''uma empresa privada é a que vai vender'' a maconha sob estrito controle governamental, tal como ocorre agora com as vendas de bebidas alcoólicas", publicou Oppenheimer em coluna no jornal "El Nuevo Herald" de Miami.
O jornalista também contou que o presidente assinalou que esta venda de maconha estará destinada apenas aos uruguaios, que deverão estar registrados para comprar, e cin isso evitará o turismo para fumantes.

O presidente do Uruguai, José Mujica, afirmou nesta segunda-feira que, se for aprovado o plano do governo para legalizar a venda de maconha, o país plantaria 150 hectares de cannabis para suprir a demanda de seus consumidores.
Em entrevista a emissoras de televisão, Mujica destacou que essa quantidade é mais que suficiente para sua iniciativa, que entrou no Parlamento para ser debatida no início de agosto e que pretende a legalizar a compra e a venda da droga e que o Estado se encarregue de todo o processo produtivo.
Faltando que a norma seja debatida no Parlamento e se conheçam bem os detalhes da regulação, estima-se que o Uruguai deverá produzir 28 mil quilos de maconha ao ano para cobrir as necessidades de seus cerca de 75,5 mil consumidores frequentes, que estariam autorizados a comprar 30 gramas mensais da droga.
Mujica insistiu mais uma vez em que com este controle estatal será possível oferecer aos consumidores um produto que terá "um preço e uma qualidade que não se pode conseguir no mercado negro", e que dessa forma tentará "roubar o mercado do narcotráfico".
"Estamos há 50 anos tentando pela via policial e estamos fracassando", declarou para justificar a iniciativa. Consultado sobre que alternativas poderia dar para o modelo de gestão deste mercado, o presidente uruguaio destacou os clubes de cannabis da Espanha, onde associações de usuários são as encarregadas "de produzir, vender e registrar os consumidores".
As declarações foram divulgadas horas depois que o jornalista argentino da CNN, Andrés Oppenheimer, divulgasse em uma de suas colunas que Mujica havia lhe confiado em entrevista que não seria o Estado que se encarregaria em último caso de vender e tramitar a maconha.
"Mujica, que até agora não tinha esclarecido se está a favor que a empresa encarregada de gerenciar seu projeto seja estatal ou privada, disse que ''uma empresa privada é a que vai vender'' a maconha sob estrito controle governamental, tal como ocorre agora com as vendas de bebidas alcoólicas", publicou Oppenheimer em coluna no jornal "El Nuevo Herald" de Miami.
O jornalista também contou que o presidente assinalou que esta venda de maconha estará destinada apenas aos uruguaios, que deverão estar registrados para comprar, e com isso evitará o turismo para fumantes.
A aprovação do presidente do Uruguai, José Mujica, foi de 39% em julho, nível mais baixo desde que assumiu o cargo, entre outras razões por seu plano para descriminalizar a maconha, segundo uma pesquisa divulgada nesta terça-feira. José Mujica, de 77 anos, é um ex-guerrilheiro (=Dilma) e o segundo presidente da história do Uruguai do partido esquerdista Frente Ampla.
A última medição sobre a popularidade do presidente foi em abril, quando o governante atingiu a marca de 47% de aprovação. A porcentagem dos que desaprovam a gestão de Mujica ficou em 33% em julho, cinco pontos a mais do que em abril.
Entre os fatores que a empresa de consultoria assinala como determinantes para a queda da aprovação está a iniciativa de Mujica de descriminalizar a produção e comercialização da maconha, atualmente em debate no Parlamento.
Outros aspectos que influenciaram a perda de popularidade foi a substituição do ministro de Turismo e Esporte, Héctor Lescano, que era o mais popular de seu gabinete, a suspensão do Paraguai do Mercosul e o simultâneo ingresso da Venezuela ao bloco regional, que gerou um enfrentamento público entre o presidente e o vice-presidente, Danilo Astori.
Além disso, a quebra da companhia aérea uruguaia Pluna, que não contou com nenhuma ajuda do Estado, pesou na hora de avaliar o desempenho do presidente.
A enquete entrevistou 713 pessoas em cidades com mais de 10 mil habitantes e tem como margem de erro 3% a mais ou a menos.

Maconha merece ‘mais respeito’, diz presidente do Uruguai

O presidente do Uruguai, José Mujica, diz que em seus 77 anos de vida nunca fumou maconha. Mas se for aprovado um projeto de lei apresentado por deputados governistas, é possível que no futuro o Estado encabeçado por Mujica tenha que regular a produção e a venda da droga a consumidores.
Apesar de o mandatário assegurar que "era contrário" à legalização, ele mesmo acabou impulsionando a ideia de regularizar.
"O que está ocorrendo no México me balançou a alma", afirma Mujica em referência à violência desatada no país por cartéis do narcotráfico.
Em uma entrevista ao serviço da BBC em espanhol há algumas semanas, na fazenda onde vive, na periferia de Montevidéu, ele disse que mesmo no Uruguai, um país de 3,3 milhões de habitantes e com índices de violência muito menores do que seus vizinhos, já apareceram fenômenos como o "ajuste de contas" ligados ao negócio da droga.
"O que me assusta é o narcotráfico, não a droga", afirma. "E pela via repressiva é uma guerra perdida: estão perdendo em todos os lugares", complementa.

Mercado regulado

Mujica
Segundo o presidente, o que o assusta não são as drogas, mas o narcotráfico
O projeto de lei que na terça-feira foi apresentado à bancada governista da Câmara de Deputados, e na quinta-feira se apresentará à oposição, propõe que o Estado uruguaio regule a produção, a distribuição e a venda de maconha no país.
Ele também admite que indivíduos cultivem a maconha para o consumo próprio.
Mujica diz que sua intenção é evitar que os consumidores de maconha lidem com vendedores que os induzam a experimentar pasta base de cocaína, uma droga que, afirma, "está apodrecendo a garotada mais simples e mais pobre".
"Além disso, cada vez tenho que gastar mais dinheiro com polícia, com prisões e com as consequências. E não tenho dinheiro para cuidar dos doentes", disse à BBC Mundo.
Sua ideia a respeito da maconha, conta, é identificar "quando o sujeito passa dos limites e dizer a ele: 'Meu filho, você tem que se internar ou se cuidar'. E não tê-lo no mundo clandestino e tratar como um delinquente um sujeito que tem uma dependência e, no fundo, tem uma doença. Não posso presentear doentes ao narcotráfico", diz.

"País pacato"

O presidente admite, porém, que sua proposta gera resistências na sociedade uruguaia.
"O Uruguai é um país pacato, de velhos. É um país cuja maioria somos velhos e de tendência conservadora...", diz. Para ele, quando se fala em regularização da maconha as pessoas reagem "como se fosse uma coisa do diabo".
"É um exagero. Na realidade, a maconha foi usada no descobrimento da América. A maconha era usada para fazer as velas e para fazer a estopa para tapar buracos nos barcos. Ela acompanhou toda a epopeia no Novo Mundo. Merece que a tratemos com mais respeito e que a conheçamos muito mais", diz.
"Estamos lutando contra o preconceito", afirma.
Mujica
Para Mujica, tendência dos uruguaios provoca resistência ao projeto do governo
Legisladores opositores expressaram seu rechaço à iniciativa do governo, que pode ser aprovada somente com os votos da Frente Ampla, a coalizão governista, já que esta tem maioria parlamentar.
Hoje a lei uruguaia permite o consumo de maconha, mas proíbe sua comercialização.
O senador do Partido Colorado Pedro Bordaberry, derrotado por Mujica na eleição presidencial de 2009, afirmou há algumas semanas que Mujica "começa pelo final, dizendo o que quer, e só depois pede estudos e discussão".
"Isso vai destroçar a vida de muitos jovens no Uruguai. As drogas são daninhas, qualquer que seja. Deve-se reduzir o consumo, não aumentá-lo", disse Bordaberry.
O ex-presidente Luis Alberto Lacalle, também derrotado em 2009 por Mujica, diz que "não parece sério não ter havido consultas prévias aos técnicos". "Parece-me que é simplesmente uma operação de opinião pública, para distrair a atenção", disse à BBC.
"É um país onde não se pode fumar cigarros de tabaco num restaurante, mas não sei se poderemos fumar maconha", afirmou Lacalle, senador pelo Partido Nacional.

40 gramas mensais

O projeto de lei prevê criar um organismo que regularia o mercado local de maconha e definiria como o governo dará licenças ao Estado ou a indivíduos para produzir, distribuir e vender a droga, segundo o deputado governista Sebastián Sabini.
O texto prevê a venda de no máximo 40 gramas mensais por adulto registrado e também admite o cultivo para consumo individual em casas (até seis plantas por residência) e clubes (com até 15 membros e até 90 plantas).
Mujica afirma que seria possível "rastrear" a maconha vendida no Uruguai para evitar que o produto seja exportado a outros países.
"Eu posso vender a você um número X de cigarros, e se eles aparecerem no Brasil, você é responsável", observa Mujica.
"Não queremos sacanear com os vizinhos, nem posso me dar ao luxo de (acolher) os viciados que venham de lá para cá. Não, estaríamos fritos com isso, porque isso nunca acabaria", diz.


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