Translate

sábado, 6 de outubro de 2012

Eleitores viajam à Venezuela para votar contra Chàvez.


Para votar em Henrique Capriles contra Hugo Chávez nas eleições de amanhã na Venezuela, a estudante Orinana Leocata, 26, decidiu fazer um bate-e-volta entre Barcelona e Caracas. "Fui morar em Barcelona em abril e não deu tempo de me inscrever na embaixada. Resolvi vir", conta Leocata, que chegou anteontem a Caracas e volta amanhã mesmo à Espanha, onde faz pós-graduação em marketing.

"É um investimento. Esse governo me fez muito mal. Estou em Barcelona, meu irmão está no Canadá. Expropriaram uma fazenda do meu pai", diz ela, e pausa a entrevista para completar a informação. "Papai, quando lhe expropriaram?" De volta à Folha: "Foi em 8 de março de 2010, em Barinas, de onde é Chávez. Nunca pagaram indenização."

Pode parecer um esforço desproporcional ou inútil, mas Leocata argumenta que, se todos pensarem assim, nunca será possível vencer Chávez.

A favor do movimento da diáspora anti-chavista, os dados da eleição de 2007, quando a oposição derrotou nas urnas a reforma constitucional proposta pelo governo por apenas 1,5% dos votos ou uma diferença de 124 mil eleitores.

Não há como mensurar a quantidade dos viajantes -eleitorais, mas um indicativo foi o barulho anteontem em Nova York quando a companhia American Airlines anunciou o cancelamento de dois vôos para Caracas. 

Os vôos alternativos oferecidos só chegavam à Venezuela no domingo à noite.

Foram tantos protestos que a empresa retomou os vôos e ainda ofereceu um extra.

MIAMI

A oposição se mobiliza também para contabilizar os eleitores no exterior, ou 100 mil votos dos 18,9 milhões de votos em jogo, especialmente os 19 mil inscritos em Miami, um bastião antichavista, que não poderão votar na cidade.

Uma rusga diplomática entre Washington e Caracas levou o governo Chávez a fechar o consulado de Miami no começo do ano. O governo americano expulsou do país a cônsul Livia Acosta Noguera -extraoficialmente, porque reportagens a vincularam a supostos agentes iranianos do México.
Quem quiser votar amanhã terá de viajar até Nova Orleans.

Para custear o traslado de quem não pode pagar, os grupos antichavistas fizeram eventos de arrecadação de fundos e criaram páginas de internet como "AeroVotar" ou "VotoDondeSea" (voto onde estiver), que organizam vôos charters e dão dicas de descontos para aluguel de carro

Apoiadores do candidato Henrique Capriles participam de ato de campanha em Barquisimeto, na quinta

Ainda que a divisão entre ricos e pobres seja marcante e decisiva entre os eleitores na Venezuela, nem toda classe alta é inimiga do governo Chávez. Até o presidente pediu voto aos "ricaços" nestas eleições, dizendo que ele garantia "estabilidade" e não havia impedido viagens ao exterior e iates nas praias.

Num país onde 96% dos dólares vem de uma estatal, é grande o número de empresas que gravitam em torno do Estado, sem falar dos que fazem dinheiro no mercado negro de divisas por conta do controle cambial.

Apesar do discurso socialista, até a recessão de 2008 a Venezuela atravessou picos de consumo de carros de luxo e outros artigos classe A e ainda tem média de consumo maior que a da América Latina em artigos eletrônicos ou cosméticos. "A revolução só acaba quando acabar o uísque 18 anos", brinca o humorista Laureano Márquez para ilustrar a acomodação entre o establisment e o chavismo quase 14 anos depois.

A metáfora ganha mais força ante a informação de que a Venezuela é um dos campeões no consumo per capita de uísque escocês no mundo.

Nenhum comentário: