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sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Suplentes doaram para campanha de 15 senadores; Raupp disse que recebeu proposta de venda da vaga(sabia que você não vota neles e eles são escolhidos por acordos secretos?).




Entre os 81 senadores que farão parte da próxima legislatura, 15 receberam doações de campanha de seus suplentes, que podem assumir o mandato sem terem recebido nenhum voto.

A legislação permite que alguém "ganhe" um mandato inteiro de senador sem muito esforço. Ou assuma por algum tempo, só para ter as regalias de parlamentar. Ao votar no seu candidato ao Senado, o eleitor muitas vezes não tem ideia de quais são os dois integrantes da chapa, o primeiro e o segundo suplentes.



Como a escolha é livre, a opção pode ser um parente
Em caso de se afastar temporariamente, para exercer outro cargo, o titular fica com um pé em cada canoa. Mantém o controle também sobre a vaga no Congresso.
É assim que Lobão Filho (PMDB-MA) guarda a cadeira do pai, Edison Lobão, ministro de Minas e Energia, desde o início da legislatura. 
Atualmente, Assis Gurgacz (PDT-RO) esquenta o lugar do filho, cujo nome é bem parecido: Acir Gurgacz (PDT-RO). 
Outro pai passou pela Casa e foi motivo de chacota. Enquanto substituía o filho Ivo Cassol (PP-RO), Relicário Cassol fez discurso defendendo o uso do chicote para disciplinar os detentos no país.
Se o líder do governo, Eduardo Braga (PMDB-AM), se licenciar, seu lugar estará garantido com a mulher, Sandra Braga.
Para que um suplente assuma, o titular precisa pedir licença por no mínimo 120 dias. Enquanto está no exercício do mandato, o substituto tem todos os direitos do mandato, como salário de R$ 26,7 mil, ressarcimento de gastos com saúde, carro, funcionários e - o bem mais precioso - o broche de senador. Com o acessório, que carrega ao deixar o mandato, o ex-suplente preserva o status de senador perante a sociedade e o direito de sentar no plenário.
Entre eles, os eleitos em 2010 para governador. Renato Casagrande (ES), Marconi Perillo (GO), Tião Viana (AC), Raimundo Colombo (SC) e Rosalba Ciarlini (RN) tiveram que renunciar ao Senado, deixando as vagas para os suplentes Ana Rita (PT-ES), Cyro Miranda (PSDB-GO), Aníbal Diniz (PT-AC), Casildo Maldaner (PMDB-SC) e Garibaldi Alves (PMDB-RN) - este, pai de outro senador, Garibaldi Alves Filho, licenciado para exercer o cargo de ministro da Previdência.
Entre os 81, 15 receberam doações de campanha de seus suplentes, que podem assumir o mandato sem terem recebido nenhum voto. Em outubro, 27 senadores foram eleitos e cinco foram financiados, em parte, pelos seus possíveis substitutos. 

O montante doado pelos suplentes varia de R$ 5.000 a R$ 1,2 milhão, variando de 0,75% a 50% do total declarado pelo candidato. Hoje 12 senadores que estão no exercício do mandato são suplentes, ou seja, 15% do Senado. 

Os dados fazem parte de levantamento publicado pela Folha de S. Paulo. O caso mais emblemático, destaca a repórter Fernanda Krakovics, é o do ministro das Comunicações, Hélio Costa, eleito senador em 2002 e licenciado desde julho de 2005. 

Wellington Salgado (PMDB-MG), seu suplente, financiou 50% da campanha
. Salgado e sua família são donos da Universo (Universidade Salgado de Oliveira) e da Unitri (Centro Universitário do Triângulo). Salgado é presidente da Comissão de Educação e jamais exercera cargo eletivo.(!!!)

Valdir Raupp (PMDB-RO) disse que recebeu, em 2002, proposta de pagamento por uma das duas vagas de suplente. "Teve empresário na época, de fora de Rondônia, que chegou a oferecer R$ 1,5 milhão para ser meu suplente. Sabiam que eu podia ser governador quatro anos depois." O mandato de senador é de oito anos. Raupp recebeu R$ 31.700 de seu primeiro suplente, Tomás Correia, o que corresponde a 11% das receitas da campanha. 

Senador eleito no ano passado, Mário Couto (PSDB-PA) teve 26,7% da campanha financiada pelo suplente Demetrius Ribeiro, presidente do conselho administrativo da Usina Siderúrgica de Marabá. Ele doou R$ 350 mil para a campanha. 

Na Câmara, o sistema é diferente. Se o cargo fica vago, o titular é substituído pelo candidato mais votado da coligação. 

O que os senadores disseram 

Com exceção de Wellington Salgado, os demais senadores procurados pela Folha negaram que as doações de campanha feitas pelos suplentes tenham influenciado na montagem da chapa eleitoral. 

Wellington afirmou que dois fatores influenciaram na escolha de seu nome como suplente de Hélio Costa. "Um foi a minha presença no Triângulo Mineiro, onde tenho faculdade e um time de basquete, e o segundo é o apoio financeiro, claro", afirmou. 

Mário Couto informou que Demetrius Ribeiro foi indicado para ser seu suplente por ser um empresário influente na região de Marabá. 

Alfredo Nascimento (PR-AM), ex-ministro dos Transportes, afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que, se a doação de R$ 10 mil feita por Aluísio Braga tivesse alguma influência, ele seria o primeiro e não o segundo suplente. 

O senador Delcídio Amaral (PT-MS), também eleito em 2002 e que presidiu a CPI dos Correios, tem como suplente Antonio João Rodrigues, dono de rádio, TV e jornal no Estado. "Eu o escolhi porque é um formador de opinião, não foi para bancar minha campanha", diz. 

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