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domingo, 13 de maio de 2012

Mães: cansadas e culpadas, se alguém perguntar de imediato se querem deixar de trabalhar, a resposta tende a ser sim!


A discussão parece antiga, mas está mais do que viva no universo feminino. As questões é que agora são outras: você sabe que pode se dedicar às duas coisas, só quer maneiras de fazer o seu dia a dia mais leve e deixar a culpa de lado. A apresentadora Angélica ficou apenas dois meses de licença-maternidade e, apesar de poder levar Joaquim para amamentar e de ser uma mãe que trabalha bem resolvida, ela confessa que se sentiu culpada. A ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, passou seis meses afastada do trabalho e quando deixou João Augusto no berçário pela primeira vez, desmoronou. “Passei por todos os dramas, chorei, me perguntei o que estava fazendo, enfim...” Foi difícil. Como foi para a estilista Fernanda Franken, que, após quatro meses de licença quando Davi nasceu, trabalhou quase um ano e decidiu que era hora de trocar de emprego. Pediu demissão da empresa e acabou montando, aos poucos e no seu tempo, sua própria confecção, em casa. Se a grande maioria das mães que trabalha fora se sente culpada e queria mais tempo ao lado dos filhos, é na hora de deixar o bebê pela primeira vez e retornar ao emprego que essa culpa atinge seu ápice. Afinal, por que a gente se sente assim? Se formos simplificar bem, ficam culpadas porque ainda temos como ideal o modelo antigo da maternidade, no qual a mulher cuidava da casa e dos filhos (e de si mesma) de maneira impecável e estava sempre muito perto da perfeição. Por querermos, hoje, atingir essa perfeição e ainda ter uma carreira de sucesso (afinal, se a Angelina Jolie dá conta...), nos sentimos sobrecarregadas, muitas vezes exaustas e, a cada dia, vamos acumulando funções. Claro que, ao tentar cumprir todos esses papéis, descobrimos que vivemos sem tempo e, infelizmente, não dá para esticá-lo. Então, cansadas e culpadas, se alguém nos perguntar de imediato se querermos deixar de trabalhar, a resposta tende a ser sim! Mas, poucos minutos depois, a gente pensa melhor e descobre que talvez não seria feliz se não trabalhasse fora. Assim como não gostaríamos nem um pouco se nossos filhos acordassem de madrugada choramingando “papai, vem aqui...”, em vez de “mamãe”. Uma pesquisa divulgada neste mês pela empresa norteamericana CareerBuilder mostrou que no outro hemisfério as mulheres também enfrentam esse dilema. E muitos dos dados são bem parecidos com os revelados pela pesquisa CRESCER Mães e Trabalho. O levantamento mostrou que uma em cada quatro mães norteamericanas acha que precisa escolher entre os filhos e o sucesso na profissão. O mesmo número afirma ter perdido três ou mais eventos significativos da vida dos pequenos por conta do trabalho no último ano. Aqui no Brasil, esse sentimento de estar longe e perdendo alguma coisa também é comum. No estudo feito pela CRESCER em 2011, apenas 25% das 5 mil participantes se mostraram satisfeitas com o tempo que passam ao lado dos filhos e 68% abririam mão de parte do salário para reduzir sua jornada. Um dos dados mais impressionantes apontado pelo levantamento que consultou 601 mães trabalhadoras e 729 pais trabalhadores diz respeito à licença-maternidade. Uma em cada dez mulheres revelou ter ficado duas semanas ou menos de licença. Outras quatro em cada dez ficaram seis semanas ou menos. A pesquisa atribuiu essa tendência aos ambientes de trabalhos competitivos e cargos de muita responsabilidade. Aqui no Brasil, as mães costumam aproveitar melhor os quatro meses aos quais têm direito e muitas ainda se beneficiam dos dois meses extras dados às servidoras públicas e às funcionárias de empresas privadas que aderiram ao Programa Empresa Cidadã. Mesmo com tantas tarefas, boa parte das mães, tanto cá como lá, conseguem passar mais de quatro horas com os filhos diariamente. Nos Estados Unidos, metade das mulheres passa quatro ou mais horas com a prole, segundo a CareerBuilder. No Brasil, 37% contaram à CRESCER que ficam mais de cinco horas ao lado dos filhos. Mas, para todas elas, esse tempo ainda é pouco. Você também se sente assim?

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