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segunda-feira, 23 de abril de 2012

Para manter transparência, França não usa urna eletrônica. As urnas eletrônicas foram inspecionadas por especialistas em informática e se percebeu que este dispositivo não permite nenhuma transparência.

As pesquisas de intenções de voto para as eleições presidenciais na França indicam que o socialista François Hollande e o atual presidente conservador, Nicolas Sarkozy, ficarão praticamente empatados no primeiro turno, que acontece neste domingo.Os primeiros resultados parciais da votação, obtidos por pesquisa de boca de urna, serão conhecidos pontualmente às 20h: somente a partir deste horário é que o Código eleitoral do país autoriza a divulgação dos dados. Já virou uma tradição: as televisões francesas desvendam lentamente a foto dos dois candidatos vencedores, conforme os institutos de pesquisa. Já a apuração defintiva das cédulas sai por volta das 3 horas da manhã. Na França, somente 1,3 milhão de eleitores votam por urna eletrônica, de um total de mais de 43 milhões registrados. Mas por que um país desenvolvido se recusa a usar a tecnologia nas eleições? Chantal Enguehard, pesquisadora da Unversidade de Nantes e membro do Observatório do Voto, uma organização independente que fiscaliza as eleições na França, explica: "As urnas eletrônicas foram inspecionadas por especialistas em informática e se percebeu que este dispositivo não permite nenhuma transparência. Essa constatação foi feita diversas vezes pelo Observatório de Segurança e Cooperação na Europa, que regrupa 55 países", afirma. "É impossível saber se os resultados fornecidos por dispositivos automáticos de voto correspondem às escolhas feitas pelos eleitores, ou se as escolhas foram moficadas. Eu não falo nem de fraudes - que podem, é claro, acontecer. Eu falo sobretudo de erros. Ainda não conseguimos desenvolver programas que sejam totalmente à prova de problemas". Ou seja, por questões de segurança, a grande maioria dos franceses exprime o seu voto em papel: o eleitor pega as cédulas de todos os candidatos que disputam a eleição e vai até uma cabine, onde em segredo coloca a cédula do seu candidato dentro de um envelope. Em seguida, ele mesmo deposita o envelope em uma urna transparente, diante das autoridades eleitorais.

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