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terça-feira, 13 de março de 2012

Superintendente do Imip - PE; pode ser indiciado por agressão e crime contra a honra

Trazemos ao conhecimento de todos os últimos acontecimentos no Imip, uma “organização social” (OS) privada, das maiores do Brasil, que hoje tem contrato bilionário com o governo de Pernambuco e se expande por outros estados. Será que ela quer substituir o SUS?

Parece que estamos diante de mais um capítulo da história da privatização na saúde.

Pensávamos que a cruel ditadura (militar), que tanto mal fez ao Brasil, tinha acabado. Parece que não acabou para alguns (civis)!

No último dia, 09.03.2012, registramos uma ocorrência destemperada na citada organização social: agressão física e moral a um médico pelo superintendente do referido Imip, além de constrangimento e intimidação a outros médicos.

Membros de uma chapa de oposição ao Sindicato dos Médicos de Pernambuco foram ao Hospital-sede do Imip fazer campanha, e lá chegando se dividiram, alguns foram aos andares do ambulatório conversar com os colegas e distribuir panfletos, e o candidato a presidente junto com sua candidata a vice-presidente se dirigiram à superintendência, para cumprimentar o responsável pela instituição e solicitar autorização nos cartazes a serem afixados. Na ante-sala do superintendente Gilliatt Falbo, o médico Antonio Jordão foi recebido com agressões verbais e física por parte do mesmo, sendo atacado pelas costas. A seguir foi mandado se retirar do hospital, sob a ameaça dos vigilantes. O relato encontra-se registrado em Depoimento Policial em link abaixo. Jordão é candidato à presidência do Simepe em uma das chapas, e atribui a violência gratuita e injustificável do superintendente ao conteúdo de sua carta-programa e às críticas e ações contra a privatização no estado. Jordão é um dos coordenadores da Frente Pernambucana em Defesa do SUS e contra a Privatização.

Depois da agressão, todos os médicos da CHAPA 2 do Simepe foram expulsos do hospital privado – que funciona com recursos exclusivamente públicos – por outro médico, Geraldo Furtado, e conduzidos por vigilantes do Imip para fora do nosocômio. Os médicos foram à Delegacia, Jordão foi submetido a exame traumatológico no IML e prestou depoimento depois.

Diante desta injustiça, nos indagamos em qual Estado de Direito estamos, qual o futuro do movimento sindical, já que resta comprometido o exercício da função sindical, o critério da atividade pública, os direitos constitucionais individuais e coletivos, e mesmo a integridade física e moral. Que tempos de democracia são esses que vivemos?



Fonte: Sind-Saúde

NOTA PÚBLICA Recife, 11.03.2012.

A Chapa 2 – Coerência, Independência e Dignidade, que concorre ao Sindicato dos Médicos neste ano de 2012, em face do lamentável ocorrido na última sexta-feira 09.03.12, e tendo em vista os posicionamentos na mídia, inclusive social, vem a público prestar os seguintes esclarecimentos:

1. A agressão física e moral ao médico Antonio Jordão, candidato a presidente da Chapa 2, de espírito pacífico, democrata por convicção, não foi uma simples agressão à sua pessoa física, mas à cidadania. Foi uma violência à pessoa humana e ao estado democrático de direito, que precisa ser devidamente punida.

2. As condições do exercício da Medicina vem se degradando, temos sofrido violências porque somos parachoque de tensões sociais. Porém, um médico contra o outro? Alguém lembra de caso de médico esmurrando outro, sem que o outro lhe oferecesse uma ofensa, uma ameaça? Ainda mais se tratando de alguém que coordena a formação de outros futuros médicos? Que tipo de interesse levaria um médico a isso?

3. Mas foi também uma violência às instituições e aos nossos costumes. O atentado à democracia, o cerceamento ao direito de ir e vir, o uso da força, o constrangimento individual e coletivo, o uso do espaço público como se pessoal fosse, o abuso de poder por quem é delegatário de um serviço público essencial e tem a responsabilidade de cumprir e fazer cumprir a lei, evidenciam a gravidade do caso. Interesse contrariado e certeza da impunidade?

4. Atinge em cheio a categoria Médica. A todos os médicos. Porque é uma eleição do seu sindicato, tratando do interesse coletivo. E naquele momento era agredido o médico, coincidentemente um ex-presidente do Simepe, liderança que tanto já fez pela categoria.

5. As prerrogativas sindicais são constitucionais. A ação sindical independe de autorização ou censura prévia. Apesar da concessão da chapa 2 pela deferência em visitar a autoridade administrativa, para cumprimentar, dar conhecimento da ação e requerer autorização nos cartazes a fim de evitar retirada indevida dos mesmos, houve a agressão gratuita.

6. Esperava-se do sindicato uma postura de defesa do colega; afinal, é sua função precípua. O razoável seria o Simepe deixar de lado temporariamente o espírito de disputa, chamar uma entrevista coletiva à imprensa e junto com os colegas de ambas as chapas repudiarem o atentado contra a pessoa e contra a democracia; além de tomar todos as medidas contra os agressores. Mas, não. Paradoxalmente, a reação de alguns diretores do Simepe foi de ficar do lado dos patrões. Em pré-julgamento, afirmaram coisas do tipo “eu não estava no Imip, mas tenho certeza que não houve nada disso”, ou transformar a vítima em culpado “uma liderança não deve, não pode sair no braço com ninguém” – como se houvesse tido briga e não uma agressão unilateral em situação completamente desigual. Mais tarde, em nota oficial, o Simepe tenta remediar a postura equivocada, mas ficou longe de chegar nem perto do intento. Posiciona-se genericamente “contra qualquer forma de violência, principalmente as que atingem diretamente os médicos... Devido à gravidade das acusações veiculadas, hoje, na mídia local, entendemos que as mesmas devem ser apuradas com a exatidão que o caso requer”. Nenhuma menção ao caso específico, nada em defesa do médico, qualquer que seja ele.

7. Abstraia-se o nome do agredido, coloquemos no seu lugar qualquer cidadão, com função social ou não, e será a mesma coisa.

8. Todas medidas serão adotadas pela nossa chapa. Mas continuaremos aguardando as pertinentes ações e desagravo das nossas entidades, locais e nacionais, a começar pelo Simepe e pelo Cremepe, bem como das instituições da sociedade civil.

Atenciosamente,

TILMA BELFORT

Candidata a Secretária Geral da Chapa 2 – Coerência, Independência e Dignidade

Fonte: http://safreire.blogspot.com/2012/03/eleicoes-simepe-nota-publica.html acesso no dia 13-03-2012

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