Translate

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

"RECIFE É A CIDADE MAIS VULNERÁVEL DO PAÍS". ONDE ESTÁ O PLANO DE CONTINGÊNCIA PARA EVACUAÇÃO DA CAPITAL DE PERNAMBUCO? COMO MILHÕES DE PESSOAS IRÃO EVACUAR A CIDADE? ESPEREM AS MENTIRAS PARA ACALMAR A POPULAÇÃO!

ONG dinamarquesa coloca a capital entre os 100 locais a serem visitados antes que desapareçam

Tânia Passos
taniapassos.pe@dabr.com.br



Cortada por rios, a cidade vem sofrendo ao longo dos anos com o avanço do mar
na Praia de Boa Viagem .

http://www.recife.pe.gov.br/pr/secplanejamento/pnud2005/satelite-micro-2_1.jpg


Uma das principais cidades turísticas do Nordeste, com mais de 2,2 milhões de visitantes só em 2008, o Recife pode ter um motivo a mais para ser procurada nas próximas décadas. Pelo menos, segundo a ONG dinamarquesa CO + Life A/S, que lançou um livro durante a 15ª Conferência Mundial do Meio Ambiente, realizada em Copenhague, sobre os 100 lugares que você deve conhecer antes que desapareçam. O Recife está na 18ª posição. Os dados levantados pela ONG foram baseados no 4º relatório do Intergovernamental Panel on Climate Change (IPCC), órgão técnico da ONU, que reúne 3,7 mil cientistas de todo o mundo. Mas não há motivo para pânico. Segundo os especialistas não existem ainda estudos conclusivos de um risco dessas proporções para a capital pernambucana. O ponto de consenso é que de fato o Recife é a cidade litorânea mais vulnerável do Brasil. Não só pela sua geografia, cortada e rios e o baixo nível em relação ao mar, mas também pela sua densidade populacional, uma média de 913 habitantes por quilômetro quadrado. A maior do país.




"O estudo não pode indicar quando e em que ordem se dariam as inundações decorrentes da elevação dos mares. São dados probabilísticos. É claro que o Recife tem uma alta vulnerabilidade, assim como outras centenas de cidades em todo o mundo ", afirmou o professor do departamento de Oceanografia da Universidade Federal de Pernambuco, Moacyr Araújo. Na América do Sul, além do Recife, Rio de Janeiro e Buenos Aires, também estão em situação de alto risco, segundo o estudo do IPCC.

O professor Moacyr Araújo, que participou de um estudo coordenado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro sobre a vulnerabilidade da zona costeira brasileira às mudanças climáticas, trouxe resultado sobre os impactos dessas mudanças no centro metropolitano do Recife. De acordo com o estudo, as áreas litorâneas e estuarinas serão as mais afetadas. Em uma simulação do aumento do nível do mar de 0,5 metro é esperado que pelo menos 39,32 quilômetros quadrados do centro metropolitano sejam inundados. Em um cenário crítico de elevação do nível do mar (1 metro), esse valor aumentaria para 53,69 quilômetros quadrados de inundação.

Também de olho nos impactos das mudanças climáticas, o Laboratório de Meteorologia de Pernambuco (Lamepe) iniciou neste ano um estudo em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) com projeções e modelos para o Nordeste, o Muclipe (Mudanças Climáticas em Pernambuco). Esse trabalho deve ser concluído em 2011. E trará projeções para as próximas três décadas.

Os dados que serão usados nos modelos de projeção feitos no estado vão se basear na pesquisa do instituto britânico Hadley Center, que fornece informações ao IPCC. "A partir do modelo que será montado vamos inserir os dados do instituto britânico e criar as projeções para 2020, 2030 e 2040", explicou a coordenadora do Lamepe, Francis Lacerda, que fez parte da delegação pernambucana enviada à Copenhague. Quanto mais estudo melhor. O deputado federal Raul Jungmann, que se assustou ao ver uma fotografia da Praia de Boa Viagem em uma exposição no centro de Copenhague, como um dos lugares que poderão desaparecer, acha que é preciso mais investimentos ."Estou solicitando R$ 500 mil de emendas orçamentárias para a UFPE realizar mais estudos sobre os efeitos climáticos", adiantou.

http://www.diariodepernambuco.com.br/2009/12/27/urbana1_0.asp


Entrevista // Francis Lacerda


"Recife é a cidade mais vulnerável no país"

A meteorologista Francis Lacerda, coordenadora do Laboratório de Meteorologia de Pernambuco (Lamepe), está trabalhando em um projeto inédito no estado para projetar simulações em modelos dos impactos a serem causados pelas mudanças climáticas. Nesta entrevista ao Diario, a meteorologista dá sua opinião sobre o relatório.

Esse estudo que aponta o Recife como a 18ª cidade a desaparecer em consequência das mudanças climáticas é válido?

Do ponto de vista científico não é possível afirmar isso. Não há elementos suficientes para uma afirmação dessa. Os estudos ainda estão sendo realizados.

Mas há um consenso de que o Recife é uma das cidades mais vulneráveis...

Isso é verdade. A cidade está abaixo do nível do mar, é cortada por rios e tem ao lado o oceano. Recife é, sem dúvida, a cidade mais vulnerável no país.

Como essa elevação do mar será estudada em Pernambuco?

Vamos instalar, em Fernando de Noronha, um marégrafo. O equipamento serve para monitorar as ondas com dados reais do oceano e, a partir daí, fazer as simulações com os modelos que iremos projetar.

Além disso, o estudo servirá para que?

Poderemos projetar o aumento da temperatura, precipitação, evaporação nas áreas das bacias hidrográficas. Com esses dados, saber se haverá aumento ou redução no nível de água.

http://www.diariodepernambuco.com.br/2009/12/27/urbana1_1.asp

Nenhum comentário: