segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Brasil e América Latina crescem menos que outros emergentes. Chora Dilma!





A América Latina é a região de países em desenvolvimento que menos vai crescer no mundo nos próximos anos, segundo relatório do Banco Mundial (Bird) divulgado nesta segunda-feira.

Em 2004, a América Latina e o Caribe ainda devem crescer mais do que o Oriente Médio e a África Subsaariana.

Mas em 2005 e 2006, essas duas regiões devem ultrapassar a América Latina e o Caribe, de acordo com as projeções do Banco Mundial.

A Ásia Oriental, puxada pela China, deve ser a campeã de crescimento em 2004, e depois disputa a liderança de expansão econômica dos emergentes com a Ásia Central, região impulsionada pela economia da Índia.

Crescimento real do PIB (%) em 2005
Banco Mundial
Ásia Oriental e Pacífico 6,7
Europa e Ásia Central 4,8
América Latina e Caribe 3,7
Oriente Médio e N.da África 3,9
Ásia Meridional 6,7
África Subsaariana 4,2



Investimento direto em países emergentes volta a cair, diz Bird

Declínio

Em 2004, o crescimento da América Latina e do Caribe deve ficar em 3,8%; em 2005, 3,7% e em 2006, 3,5%. Já a expansão dos emergentes da Ásia Oriental e do Pacífico em 2004 deve ficar em 7,4%; em 2005, 6,7%; e em 2006, 6,3%.

Os países em desenvolvimento da Europa e Ásia Central devem crescer 4,9% em 2004; 4,8% em 2005; e 4,7% em 2006. Já Oriente Médio e Norte da África, a expansão deve chegar a 3,7% em 2004; 3,9% em 2005; e 4,0% em 2006.

Na Ásia Meridional, os países emergentes devem crescer 7,2% em 2004; 6,7% em 2005; e 6,5% em 2006. Na África Subsaariana, a expansão deve ficar em 3,4% em 2004; 4,2% em 2005; e 3,9% em 2006.

Segundo o Banco Mundial, a "América Latina está numa fase de lenta recuperação, com crescimento do PIB regional de 1,3% em 2003", com expansão de 3,8% no ano passado.

Chile, Colômbia e Peru foram os países que tiveram o "desempenho mais forte" na região no ano passado.

A recuperação do México e do Brasil começou a ganhar fôlego no fim de 2003, mas deve se expandir neste ano, segundo o estudo.

Mas a retomada não deve compensar as perdas dos últimos anos.

O PIB e o consumo per capita têm caído na América Latina e Caribe, de acordo com o estudo. Entre 1981 e 1990, o PIB per capita teve queda de 0,9%. Entre 1991 e 2000, teve pequena recuperação de 1,6%.

No entanto, o PIB per capita na América Latina caiu 1,2% em 2001, teve nova queda de 2% em 2002 e pequena queda de 0,1 em 2003.

O Banco Mundial estima expansão de 2,4% do PIB per capita da região em 2004.

Riscos

O estudo diz que há o risco de o déficit fiscal elevado dos países desenvolvidos, "que cresceu todos os anos desde 2000", ponha em perigo o fluxo de capitais para países em desenvolvimento.

"Os déficits fiscais nos países desenvolvidos ampliaram-se para 3,7% do PIB", disse Uri Dadush, diretor do Grupo de Projetos de Desenvolvimento do Banco Mundial.

"Não corrigidos, os desequilíbrios fiscais poderiam forçar uma alta das taxas de juros, na medida em que continue a recuperação, com possibilidade de amortecer os fluxos de capital para os países de renda média e baixa, dada a concorrência dos países de alta renda com os países em desenvolvimento pelo acesso à poupança global."

Infra-estrutura

O relatório chama a atenção para a necessidade de infra-estrutura para a expansão da economia da América Latina e do Caribe.

"No entanto, desde 2001, apesar da continuada necessidade de vastos investimentos em infra-estrutura (na região), o investimento internacional em infra-estrutura caiu em quase 70% na América Latina", diz o Banco Mundial.

Segundo o estudo, o aumento dos fluxos de capital privado para os países em desenvolvimento oferece "oportunidades significativas" de investimento em infra-estrutura e para facilitar o financiamento de comércio exterior.

A necessidade de investimentos em infra-estrutura é geral entre os países em desenvolvimento, onde "1,1 bilhão de pessoas não têm acesso à água potável, 2,4 bilhões são afetados por saneamento inadequado, 1,4 bilhão não têm energia, e a rede de telecomunicações é cinco vezes menos densa do que no mundo desenvolvido".

O estudo recomenda que os países procurem captar capitais internacionais para atender a demanda por infra-estrutura, mediante, "entre outras coisas, estabelecimento de normas transparentes, com a garantia de que os contratos serão reforçados, fortalecimento dos mercados de capital locais, criação de instrumentos público-privados de atenuação de riscos e ajuda aos provedores públicos de serviços de infra-estrutura, para que eles atinjam padrões comerciais de crédito."

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