segunda-feira, 14 de novembro de 2011

A ATUAL CRISE ECONÔMICA É PRINCIPALMENTE UMA CRISE MORAL, DE VALORES!

"A violência e a injustiça dos governantes é um antigo mal, e eu receio que não tenha remédio (...) A ganância mesquinha e o espírito monopolista dos comerciantes e industriais, que não são e nem devem ser os governantes, é algo que, embora talvez não possa ser corrigido, pode-se conseguir pelo menos, que não perturbe a tranquilidade de ninguém, exceto deles mesmos".

Esta citação não vem de um manifestante qualquer em um acampamento de indignados, mas da respeitada Bíblia do liberalismo econômico (A Riqueza das Nações), cujo autor, Adam Smith, foi um professor de filosofia que dedicou sua obra-prima para a Teoria dos sentimentos morais.

Desde a sua criação, o capitalismo tem necessidade de regras que limitem e controlem o funcionamento dos mercados, e é responsabilidade dos políticos e dos governantes estabelecer essas regras e aplicá-las.

Por isso, estão certos aqueles que dizem que a atual crise econômica é, sobretudo, uma crise moral, em que a perda de valores não pode ser de forma alguma substituída por promessas eleitorais. Mas também tem uma dimensão global quase sem precedentes, pela abrangência e velocidade com que ocorreu.

O "diretório" franco-alemão pretende constituir-se em um poder de fato na Europa, diante do silêncio ou da cumplicidade das instituições da União Europeia e da maioria dos líderes presentes as reuniões, sempre dispostos a culpar os mercados por todos os nossos males.

Acusação abstrata que evita que se pergunte, entre outras coisas, quem era o Comissário Europeu responsável pelo acompanhamento da transparência e fiabilidade das contas apresentadas pela Grécia, ou como foi possível o Banco da Espanha e o Governo afirmar que tínhamos o sistema financeiro mais robusto do mundo, apenas para acabar sendo aquele que mais precisa ser recapitalizado.

Niall Ferguson é um dos muitos intelectuais que diz que na verdade foram os acontecimentos políticos que moldaram o que ele considera as instituições da vida econômica moderna: as burocracias fiscais, os Parlamentos, os bancos centrais e os mercados de títulos (ou seja, a dívida).

Os partidos políticos e a democracia representativa têm sido prisioneiros desse quadrilátero de poder que eles próprios ajudaram a criar. As grandes depressões econômicas do passado terminaram em conflitos geopolíticos de imensa magnitude, e não devemos descartar acidentes semelhantes se os líderes mundiais continuarem reunindo-se, como tem feito até agora, para estabelecer planos que são incapazes de cumprir.

Em última análise, esta crise é sistêmica. Por esta razão, deve-se ser moderado nas promessas e humilde em suas expressões.

O que está em jogo, ainda que lamentemos muito, é o princípio da universalidade dos direitos.

O século XX terminou com a queda do Muro de Berlim e o século XXI começou com a queda do Banco Lehman Brothers. Vivemos em um mundo em transição em que os paradigmas estão mudando.

Pela primeira vez em 200 anos, as novas gerações dos países ocidentais não guardam a esperança de um futuro melhor do que aquele que tiveram seus pais.

O desânimo, não somente a indignação, começou a apoderar-se dos mais jovens, presos ao medo de um retrocesso histórico.

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