quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Hacker beleza e os brasileiros conscientes.

Hackers invadem blog do Planalto e colocam foto de protesto contra corrupção.

O Blog do Planalto, uma das principais páginas de informações oficiais do governo federal, sofreu mais um ataque virtual. Desta vez, o autor foi um fã inveterado do cantor Raul Seixas, autointitulado “Hacker Beleza”.

O hacker inseriu várias mensagens contra a corrupção, intercaladas por trechos de músicas do roqueiro baiano, que fez sucesso nos anos 70 e 80.

Na página principal do Blog do Planalto, em vez das habituais notícias sobre o governo Dilma Rousseff, o hacker colocou uma foto de jovens varrendo o chão com vassouras verde-amarelas, em um dos atos contra a corrupção. Acima da imagem, a mensagem: “Político deve ser íntegro, incorruptível! Ficha Limpa já! Voto aberto no Congresso!”

No alto, o hacker fez a citação “Eu sou! Eu fui! Eu vou!”, presente na música “Gita”, de Raul Seixas”. Outra música do cantor, citada no ataque, é “Sociedade Alternativa”: “Faz o que tu queres. Há de ser tudo da lei”. Até as 7h de hoje, a mensagem ainda não havia sido retirada.

Em junho deste ano, vários sites da presidência e órgãos do poder público foram atacadas por hackers. As ações foram realizadas por um grupo autointitulado LulzSec Brasil.






Protesto contra a corrupção reúne 20 mil em Brasília


Munidas de vassouras, pizzas e máscaras de personagens da política, milhares de pessoas aproveitaram o feriado para participar de atos contra a corrupção em mais de dez capitais do país.

A reportagem é de Larissa Guimarães, Paulo Gama e Paula Bianchi e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 13-10-2011.

As manifestações - mobilizadas principalmente por meio da rede social Facebook - reuniram 20 mil pessoas em Brasília, 2.000 na avenida Paulista, em São Paulo, e 1.500 na praia de Copacabana, no Rio, segundo cálculos da Polícia Militar.

Outras cidades, como Florianópolis, Belo Horizonte, Goiânia, Recife, Manaus, Fortaleza e Curitiba reuniram desde 15 participantes (caso de Manaus) a 2.500 (Goiânia).

Os protestos tiveram em comum bandeiras como o fim do voto secreto no Congresso Nacional e a aplicação da Lei da Ficha Limpa.

Em várias capitais, os manifestantes também pediram o fortalecimento do Conselho Nacional de Justiça e investimentos em saúde e educação.

Na maior parte dos atos, os grupos se classificavam como apartidários. Em Brasília, militantes de partidos foram vaiados. Em São Paulo, o senador Eduardo Suplicy (PT) se dirigiu a um carro de som para falar, mas foi impedido.

"Se discursasse, iam dizer que o movimento é ligado ao PT, e não queremos nos vincular a nenhum partido", disse um dos organizadores do ato, Saulo Rezende, 29.

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), foi alvo de críticas de manifestantes em vários protestos.

Em Brasília, ele e o deputado cassado José Dirceu (PT-SP), que saiu do governo Lula após o escândalo do mensalão, foram chamados de "ladrões" e "corruptos".


Já a presidente Dilma Rousseff foi cobrada a fazer uma "faxina ampla e irrestrita".

Também na capital federal, o presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Ophir Cavalcanti, pediu o fortalecimento do CNJ.

Já no Rio, no fim do trajeto, foi feito um minuto de silêncio em homenagem à juíza Patrícia Acioli, assassinada com 21 tiros em agosto.

Depois, os manifestantes encontraram um grupo de 30 crianças da favela Mandela, na zona norte do Rio. A organização Rio de Paz explicou que elas representavam a necessidade de união da sociedade brasileira.

Este é o segundo feriado seguido em que manifestações contra corrupção convocadas pela internet saem às ruas.

Há cerca de um mês, no Dia da Independência, 12 mil pessoas participaram da Marcha contra a Corrupção na Esplanada dos Ministérios.

Em São Paulo, 1.200 foram à av. Paulista e, no Rio, 50 compareceram à Cinelândia. Àquela ocasião, mais de 130 mil pessoas no país disseram no Facebook que protestariam.

Organização e PM divergem sobre público

O público informado por organizadores de manifestações geralmente diverge do divulgado pela Polícia Militar.

Em São Paulo, por exemplo, onde a PM afirmou que cerca de 2.000 pessoas participaram do ato na Av. Paulista ontem, organizadores estimaram o público em até 10 mil pessoas. A PM faz a medição com base em imagens de helicóptero e na avaliação de policiais. A partir do cálculo da área ocupada, considera que até seis pessoas possam ocupar um metro quadrado. Organizadores, por sua vez, dizem que computam também o público rotativo.

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