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sexta-feira, 29 de abril de 2011

Você deseja ter uma vida intelectual? Crie dentro de si uma zona de silêncio. Leia Sertillanges

Vivemos num mundo cercado por barulho, por um tipo de agitação que preenche nossos dias e noites. Temos tantas coisas para nos distrair, mesmo que, às vezes, pensamos que elas nos educam.

Sertillanges tem certeza que temos tempo. Mas, ele, também, tem certeza que não notamos que temos tempo porque nossas vidas parecem ser ocupadas, saturadas. Encontramos tempo nos tornando, primeiramente, interessados, desejosos de saber.

Sertillanges exige um exame de consciência tanto sobre nossos pecados, quanto sobre o uso do nosso tempo.

Uma vida intelectual, contemplativa, é, em si, cheia de atividade, mas atividade proposital, que quer saber e saber a verdade.

O que, comumente, chamamos “intelectual” atualmente não é, provavelmente, o que Sertillanges tinha em mente quando ele falava de “vida intelectual”.
Não devemos nunca esquecer que uma vida intelectual é uma vida perigosa. O maior de todos os pecados não se origina da carne mas do espírito, como dizia Agostinho. O mais brilhante dos anjos foi o anjo caído.

Essas considerações sóbrias explicam porque gosto deste pequeno livro de Sertillanges. Ele não hesita em nos alertar sobre a relação íntima entre nosso conhecimento da verdade e o não direcionamento de nossa alma ao bem.

A vida intelectual pode ser e, com freqüência, é uma vida perigosa. Mas, isso não é razão para negarmos sua glória. E Sertillanges é muito cuidadoso em nos direcionar para aquelas coisas que devem ser perseguidas porque elas nos explicam o que somos, nos explicam o mundo e Deus. (...)

Tendemos a pensar que a vida intelectual é alguma enorme intuição que vem a nós numa agradável manhã, enquanto nos barbeamos ou tomamos café. Sertillanges não nega que alguma intuição nos chega dessa forma. Mas, o curso normal das coisas exigirá, ao contrário, uma preocupação permanente em perseguir a verdade, em conhecer, em ser curioso sobre a realidade. (...)

Eu colocaria A Vida Intelectual sobre a escrivaninha de todo estudante sério e da maioria dos negligentes.

De fato, Platão disse que nossas vidas não são “sérias” em comparação com a de Deus. Algo do relaxado lazer, daquela sensação de liberdade que vem com o conhecimento e com o desejo de conhecimento, é instilado em nossas almas por este livro.

Sua mera presença em nossas escrivaninhas ou estantes é um estímulo constante, um lembrete visível de que a vida intelectual não é algo estranho, algo que não podemos, do nosso jeito, alcançar.


Não é que não temos patifes suficientes para amaldiçoar; é que não temos homens bons suficientes para amaldiçoá-los.

A verdade integral é, geralmente, a aliada da virtude; a meia verdade é sempre aliada de algum vício.

A verdade é sagrada; e se você diz a verdade muito freqüentemente, ninguém acreditará.

Não é intolerância ter certeza de se estar certo; mas é intolerância ser incapaz de imaginar como pudemos ter errado.

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