sábado, 16 de abril de 2011

Caos em Alagoas: Ministério da Saúde admitiu que o número de leitos em Alagoas é insuficiente para atender à população.

A situação é grave e bastante preocupante porque a superlotação das unidades faz aumentar o risco de infecção hospitalar.

Duas maternidades públicas em Maceió, atendem exclusivamente grávidas de alto risco. Muitas dessas mulheres têm filhos prematuros, que têm saúde debilitada.

Dessas duas unidades, apenas uma está funcionando e o resultado disso é que todas as grávidas de alto risco do estado de Alagoas estão sendo atendidas lá: 75% das pacientes chegam do interior.

Nessa maternidade faz tanto calor que as grávidas estão sendo obrigadas a levar ventiladores para suportar a alta temperatura.

“Nós já tivemos situações mais críticas, não apenas de um, de dois, mas três bebês precisando de ventilação mecânica e a gente ter um único aparelho.Precisa priorizar aquele que tem mais chance de dar a ele uma condição de sobrevida”, contou Sirlene Patriota.


A Maternidade Santa Mônica está superlotada desde o início do mês. Passou a atender o dobro de pacientes porque a maternidade e a UTI neonatal do hospital universitário, de responsabilidade do Governo Federal, tiveram que ser fechadas.

Uma superbactéria no ar, muito resistente a antibióticos, provocou a morte de cinco adultos e quatro recém-nascidos. A última vítima morreu na manhã desta sexta.

Só nesta (15.04.2011)três grávidas foram transferidas para o local. “Não existe risco nenhum e o hospital está apto a receber as gestantes em tratamento clínico do estado todo sem nenhuma dificuldade”, afirmou o diretor do Hospital Universitário, Paulo Teixeira.

Na UTI neonatal, ainda estão internados três recém-nascidos. Somente depois que esses pequenos pacientes receberem alta, a direção do hospital poderá fazer a desinfecção, a limpeza dos ambientes.

A situação caótica levou o defensor público de Alagoas, Ricardo Melro, a radicalizar: “Quem tiver uma gravidez de risco é bom se precaver e buscar uma unidade hospitalar fora do estado de Alagoas para ter o seu filho sem correr o risco de não ter um leito de UTI neonatal”.

Nesta sexta, ele entrou com um requerimento na Justiça Federal para exigir que autoridades das três esferas de governo transfiram, imediatamente, gestantes de alto risco para outros estados.

“Maceió é a única capital do Brasil que não tem maternidade própria. No momento que ficou constatado que não há leito de UTI neonatal em Alagoas, nem para o público, setor público, e nem para o setor particular, só tem um caminho: é contratar leitos foras do estado”, explicou.

A equipe do JN no Ar ouviu as autoridades. O resumo de uma nota oficial, assinada pelo Governo de Alagoas, Prefeitura de Maceió e pela direção dos hospitais visitados, informa que na próxima terça-feira, a maternidade do hospital universitário será reaberta para as gestantes de alto risco.

Segundo essa nota, os recém-nascidos com suspeita de infecção serão isolados em outra área e não ficarão na UTI. E que as vigilâncias sanitárias do estado e também do município de Maceió constataram a necessidade de uma pequena adequação física nestes hospitais.

O Ministério da Saúde informou que equipes do Governo Federal irão ao Hospital Universitário Alberto Antunes para verificar se o local foi mesmo contaminado por uma superbactéria. Exames de muitos pacientes deram resultado negativo.

O ministério admitiu que, neste momento, o número de leitos em Alagoas é insuficiente para atender à população.

“Não tem sentido mandar gestantes para outros estados, mas há uma sobrecarga momentânea. É um transtorno enorme, nós reconhecemos, mas há um esforço local muito grande para resolver o problema que deve ser normalizado”, declarou o secretário de Atenção à Saúde, Helvécio Magalhães Junior.

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