Translate

terça-feira, 15 de março de 2011

Medo de radiação causa pânico e provoca fuga de Tóquio

Por Jason Szep e Terril Yue Jones

TÓQUIO (Reuters) - Várias pessoas deixaram Tóquio nesta terça-feira e moradores permaneceram dentro de suas casas em meio a temores de que a radiação de uma usina nuclear atingida pelo terremoto de sexta-feira afete uma das maiores e mais densamente povoadas cidades do mundo.

Apesar das garantias do governo municipal de que os baixos níveis de radioatividade detectados até o momento na capital japonesa "não são um problema", moradores e turistas decidiram que permanecer na cidade era simplesmente arriscado demais.

Horas após o primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, orientar a população a ficar em casa nos arredores da usina de Fukushima e o governo de Tóquio - onde foi detectado um aumento dos níveis de radiação na região metropolitana - dar a mesma orientação, a Autoridade de Segurança Nuclear Francesa (ASN), que acompanha a crise no Japão, elevou nesta terça-feira para nível seis - numa escala até sete - a classificação dos acidentes ocorridos depois do terremoto e a tsunami da última sexta-feira.

A situação também preocupa companhias aéreas, que cancelaram voos para a capital japonesa . O número oficial de mortos na tragédia subiu a 3.373.

Por enquanto, os índices detectados perto de Tóquio não são alarmantes, mas a notícia espalhou o pânico pela cidade.

Não há ordem oficial de retirada da região, mas as empresas multinacionais estão avaliando planos de emergência para o deslocamento de estrangeiros. Até o meio da tarde desta terça-feira (horário local), a embaixada brasileira também não recomendava a retirada da capital e informava estar seguindo as orientações do governo japonês.

De acordo com especialistas, nas próximas horas o vento deve levar a radiação para o Oceano Pacífico, atenuando os temores na capital nipônica.

Várias empresas retiraram seus funcionários de Tóquio, visitantes reduziram as férias e companhias aéreas cancelaram voos.

A Administração de Aviação dos Estados Unidos informou que está se preparando para redirecionar rotas caso a crise nuclear se agrave.

Aqueles que permaneceram na capital japonesa estocavam alimentos e outros suprimentos, temendo os efeitos da radiação, que levou pânico à cidade de 12 milhões de habitantes.

No principal aeroporto da cidade, centenas de pessoas se enfileiravam, muitas delas com crianças, para embarcar em voos deixando o país.

"Não estou muito preocupado com um outro terremoto. É a radiação que me assusta", disse Masashi Yoshida, enquanto segurava a filha de cinco anos no aeroporto de Haneda.

Turistas, como a norte-americana Christy Niver, deram um basta. Sua filha Lucy foi mais enfática. "Estou apavorada. Estou tão apavorada que preferia estar no olho de um tornado", disse. "Quero ir embora".

A usina nuclear de Fukushima, afetada pelo tremor, está 240 quilômetros a norte de Tóquio.

Autoridades disseram que a radiação na capital do país estava 10 vezes acima do normal à noite, mas não era o suficiente para prejudicar a saúde.

Mas a confiança no governo está abalada, e muitas pessoas se preparam para o pior.

Muitas lojas não tinham mais arroz, um produto essencial no Japão, e as prateleiras que tinham pão e macarrão instantâneo estavam vazias.

Cerca de oito horas depois de novas explosões acontecerem na usina, a agência meteorológica da ONU informou que os ventos estavam dispersando o material radioativo para o oceano Pacífico, distante do Japão e de outros países da Ásia.

A Agência Meteorológica Mundial, sediada em Genebra, informou, no entanto, que as condições climáticas podem mudar.

Alguns cientistas fizeram apelos para que a população de Tóquio mantenha a calma.

"O material radioativo vai chegar a Tóquio, mas ele é inofensivo ao corpo humano porque ele se dissipará até chegar a Tóquio", disse Koji Yamazaki, professor da escola de ciência ambiental da Universidade de Hokkaido.

"Se o vento ficar mais forte, isso significa que o material voará mais rápido, mas também que dispersará ainda mais no ar".

Reportagem adicional de Junko Fujita, Mayumi Negishi, Kei Okamura e Jon Herskovitz.

Imagine um desastre desse ocorrendo em Angra...Não existe plano de evacuação nem de contingência que funcione, pois não existe treinamento da defesa civil, nem a população está preparada...

Melhor se mudar de Angra agora...

Com esse ministro das Minas e Energia, com apagão atrás do outro, imagine o controle do material radiativo...

Meus caros brasileiros, está na hora da verdade.

Quer apostar que todo mundo vai dizer que aqui não há perigo de nada parecido ocorrer e que o sistema de segurança daqui é melhor que o de lá?

Nenhum comentário: